quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ALENQUER História, notícia de Nova Verdade

Publicou o quinzenário local Nova Verdade, no seu último número (1 de Outubro), uma notícia sobre a existência deste blogue. Aqui fica o nosso agradecimento ao histórico jornal.

Núcleos urbanos antigos: Pereiro de Palhacana

O núcleo urbano antigo de Pereiro de Palhacana, gozando de boa inserção paisagística, mantém algum equilíbrio, nomeadamente na rua principal, na zona onde se encontra a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (antigamente do Espírito Santo), com interessante alpendre. Destacam-se ainda aqui a Quinta de Palhacana, o Cruzeiro e algumas casas de gosto popular.


Cruzeiro e Escola, década de 1930

Núcleo urbano antigo de Pereiro de Palhacana

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Núcleos urbanos antigos: Cortegana (Ventosa)

“A frescura e exuberância dos seus arvoredos e o pitoresco das suas paisagens levaram a considerá-la [...] em fins do século XIX, a ‘Sintra do Alto Concelho’ (O Concelho de Alenquer 1 – Subsídios para um roteiro de Arte e Etnografia). Sustentam esta comparação a existência muito concentrada de boas quintas solarengas como as do Rossio (do Visconde de Chanceleiros), do Porto Franco, de Vale da Gama, da Baronesa, da Barreira, da Cortegana, etc., destacando-se ainda, neste lugar, a Igreja e Oratório de Nossa Senhora da Saúde e a casa de verão do poeta João de Deus. “Artistas, escritores, cientistas, oradores e poetas eram, assim, visitas assíduas, de verão, nas quintas da Cortegana” (O Concelho de Alenquer 4 – Subsídios para um roteiro de Arte e Etnografia).


Casa chamada “de João de Deus”, na Cortegana, década de 1930

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Núcleos urbanos antigos: Aldeia Galega da Merceana

O núcleo urbano antigo de uma terra é um legado histórico, um testemunho material das raízes e identidade dos seus habitantes.
Mais do que a atenção devida isoladamente a este ou aquele monumento, hoje privilegia-se o trecho, o conjunto arquitectónico ou urbano em que ele se insere.
Há casos em que o conceito de núcleo urbano antigo se poderá aplicar à área total da localidade. Noutros apenas se aplicará a uma rua ou a um largo.

Pelourinho e Casa da Rainha, década de 1930

 

“Aldeia Galega é hoje uma pequena povoação que parece ter adormecido no tempo” (O Concelho de Alenquer 1 – Subsídios para um roteiro de Arte e Etnografia). Acrescente-se: no tempo em que foi extinto o concelho de que era sede (1855). Apresenta, na sua generalidade, notável equilíbrio e boa preservação. Destacam-se o Pelourinho Manuelino (Monumento Nacional), a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres (Imóvel de Interesse Público), a Igreja da Misericórdia, a Casa da Rainha, a Capela do Espírito Santo, o Fontenário. Bons trechos de arquitectura civil, casas de lavradores abastados, adegas, e uma ou outra casa nobre como a da Quinta do Barão.


Núcleo urbano antigo de Aldeia Galega

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Núcleos urbanos antigos: Abrigada

O núcleo urbano antigo de uma terra é um legado histórico, um testemunho material das raízes e identidade dos seus habitantes.
Mais do que a atenção devida isoladamente a este ou aquele monumento, hoje privilegia-se o trecho, o conjunto arquitectónico ou urbano em que ele se insere.
Há casos em que o conceito de núcleo urbano antigo se poderá aplicar à área total da localidade. Noutros apenas se aplicará a uma rua ou a um largo.


Palacete do Visconde da Abrigada, década de 1930


Abrigada

“Esta próspera povoação tem bastantes construções de valor e interesse arquitectónico” (O Concelho de Alenquer 1 – Subsídios para um roteiro de Arte e Etnografia).
São facilmente perceptíveis os limites da povoação antiga, onde se encontram a Capela de São Roque, o Palacete do Visconde da Abrigada, brasonado, e outras casas, como aquela em que nasceu o estadista Mariano Cirilo de Carvalho, a Casa dos Mendonça (também chamada dos Silveira) ou a Casa Pimentel Teixeira (Casa da Sãozinha), também brasonada, ou uma série de adegas da segunda metade do século XIX, para citar alguns exemplos de edifícios de interesse histórico-arquitectónico.

Núcleo urbano antigo de Abrigada

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Judiaria de Alenquer




O topónimo «Judiaria» resistiu, em Alenquer, ao passar dos séculos e continua a identificar um bairro (composto pela rua, travessa e beco da Judiaria) inserido na zona histórica da vila e a assinalar o local de fixação da comunidade judaica de Alenquer, que teve alguma importância na Idade Média.
O historiador local Guilherme Henriques refere-se-lhe, nestes termos:
«No fim da rua dos Muros, próximo à Porta de Nossa Senhora da Conceição, existem uns quintais e casas arruinadas denominados ‘a Judiaria’. Era aqui o bairro particular dessa raça laboriosa e proscrita […] e o facto dele ficar reduzido a quintais foi, provavelmente, pela repugnância que os cristãos sentiam de habitar as casas que tinham servido a este povo perseguido e desprezado.»
Para o ano de 1442 apontam-se 18 judeus na vila, número que talvez corresponda apenas aos chefes de família. João Pedro Ferro, autor de Alenquer Medieval, partindo deste pressuposto, afirma que o número de judeus poderia então oscilar entre os 63 e os 90, sendo a grande maioria mesteirais, com predomínio dos alfaiates, sapateiros e ferreiros. «Comunidade bastante rica», segundo o mesmo autor, baseando-se em documentação coeva, chegou a pagar mais impostos do que as comunas de Santarém, Leiria, Torres Novas, Abrantes, Lamego, Porto, Ponte de Lima, Tomar, Setúbal ou Coimbra, sendo apenas superada pelas de Lisboa, Beja, Guarda e Moncorvo.
Considerados culpados de incendiarem a vizinha Igreja da Várzea, os judeus de Alenquer terão sido expulsos da vila no final do século XV, não sem antes terem sido condenados a reedificar o templo.
Um documento do século XV, citado por João Pedro Ferro em Alenquer Medieval, refere-se ao «Adro dos Judeus», o cemitério, que se situava no local onde, no princípio do século XIX, se veio a construir a Real Fábrica do Papel.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Alenquer e as suas tradições republicanas (II)

A comemoração do primeiro aniversário da proclamação da República em Alenquer, em 5 de Outubro de 1911, ditou um modelo que se procurou repetir nos anos e décadas seguintes, assente nas festas populares, nos jantares-convívios e outras manifestações, que se transformaram em autênticas tradições locais.
Amanhã, dia 5 de Outubro, pelas 16 horas, no Museu João Mário, em Alenquer, relembrar-se-ão estas tradições de 5 de Outubro. «Alenquer e as suas tradições republicanas» é o título da exposição/tertúlia, com entrada livre.
Semanário local Damião de Goes, 8 de Outubro de 1911

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Alenquer e as suas tradições republicanas

A comemoração do primeiro aniversário da proclamação da República em Alenquer, em 5 de Outubro de 1911, ditou um modelo que se procurou repetir nos anos e décadas seguintes, assente nas festas populares, nos jantares-convívios e outras manifestações, que se transformaram em autênticas tradições locais.
No próximo dia 5 de Outubro, quarta-feira, pelas 16 horas, no Museu João Mário, em Alenquer, relembrar-se-ão estas tradições de 5 de Outubro. «Alenquer e as suas tradições republicanas» é o título da exposição/tertúlia, com entrada livre.
Festas de 5 de Outubro de 1928, Parque Vaz Monteiro

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Irmãos da Misericórdia de Alenquer em 1878

O Compromisso da Santa Casa da Misericórdia da Vila de Alenquer (fundada em 1527), aprovado e publicado em 1878, contém uma relação nominal dos 58 irmãos existentes nesse mesmo ano e respectivas datas de admissão na irmandade.




quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A Antiga Feira de São Miguel

29 de Setembro, dia de São Miguel.

No lapso tempo que vai dos meados do século XVII aos meados do século XVIII, a feira anual de Alenquer deixou de se fazer pelo São João, passando a realizar-se pelo São Miguel, por dois dias, 29 de Setembro, o dia do Santo, e véspera. Segundo o testemunho dos párocos da vila, em 1758, era «feira de pouca importância» e realizava-se no Rossio do Espírito Santo (actual largo do mesmo nome).
Mas se em meados de Setecentos a feira tinha pouca importância, pelos finais do século XIX chegou mesmo a estar em decadência, como evidenciam as notícias da imprensa local.
Procurando reagir a essa decadência, que em nada favorecia a sua classe, um grupo de comerciantes da vila abalançou-se, em 1896, num importante melhoramento para Alenquer: a expropriação da Horta do Canto (hoje Parque Vaz Monteiro), juntando este espaço ao Largo do Espírito Santo, a fim de alargar o recinto da Feira de S. Miguel.
A obra fez-se e «em Setembro de 1897, por dia de S. Miguel», conforme conta Guilherme Henriques, «inaugurou-se a feira na nova área, passando a ser de três dias em lugar de algumas horas, com dantes era, e em vez de ser de gamelas, cestos, cebolas e esteiras de bunho, passou a ser feira de gado e de produtos diversos».
Henriques descreve assim o espaço, em 1902:
«Na margem direita do rio, desde a ultima oficina da Fábrica o Meio, no sentido descendente, até á ponte do Espírito Santo, e ainda daí até confinar com a Fábrica da Chemina, há uma grande área de terreno, a primeira parte da qual, arborizada, com bancos de ferro e cortado pela rua pública, serve para as barracas para a venda de produtos industriais, terrado para exposição de cerâmica, etc., no mercado mensal e na feira anual.
A outra parte, ainda há poucos anos desigual, lamacenta, e com apenas metade da extensão que hoje tem, servia de mercado de gado das diversas espécies, para cujo serviço tem hoje a área suficiente, mas, há dez anos, tão pouco chegava que houve época em que o mercado de gado suíno teve de ser transferido para o terreno entre a Torre da Couraça e a porta de Nossa Senhora da Conceição, e, também, para a estrada e terrenos baldios adjacentes, em frente da Fábrica de Papel. Esta separação de mercados era inconvenientíssima para o povo e para os negociantes».
Renovada, a Feira de S. Miguel chegará mesmo a revestir-se de «grande brilhantismo», como em 1909, 26 e 27 de Setembro (adaptando-se talvez ao Domingo mais próximo), «devido aos esforços empregados por uma comissão que para esse fim se constituiu», e em que «o programa de festejos foi cumprido à risca». Programa diversificado, incluía corridas pedestres, raid burrical, cavalhadas, fogo de artifício e banda de música. As notícias são em tudo diferentes às da década anterior: «Nos dois dias houve grande concorrência de forasteiros, fazendo-se algumas transacções, tanto em gado como em outros géneros. As barracas da feira fizeram todas excelente negócio, assim como as casas de pasto, onde chegou a esgotar tudo que havia, em algumas, apesar de bem fornecidas» (Damião de Goes, n.º 1240, 03.10.1909).
Em 1941, a Feira de Alenquer, anual, e assim simplesmente chamada, criada pela Câmara Municipal de Alenquer, por sugestão do Grupo dos Amigos de Alenquer, mantendo-se no mesmo local, veio substituir esta antiga feira.

A Feira de São Miguel, no Largo do Espírito Santo, cerca de 1910.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Presidentes da Câmara Municipal de Alenquer

De 1855 à actualidade

O actual concelho de Alenquer, na sua composição, área e limites, resulta do decreto de 24 de Outubro de 1855 que extinguiu o concelho de Aldeia Galega da Merceana, integrando as suas freguesias (Aldeia Galega, Aldeia Gavinha, Ventosa e Vila Verde) no de Alenquer.


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Luz de Almeida: um alenquerense entre os obreiros da República

As Constituintes de 1911 e os seus Deputados é uma obra compilada e dirigida por um antigo oficial da Secretaria do Parlamento, editada nesse mesmo ano pela Livraria Ferreira, em Lisboa. Entre os deputados à Assembleia Nacional Constituinte ali biografados encontra-se o alenquerense Artur Augusto Duarte da Luz de Almeida, natural desta vila, onde nasceu em 1867, e que viria a falecer em Lisboa, em 1939.


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Arquitectura Tradicional de Alenquer


«O estilo arquitectónico das edificações de Alenquer», da autoria de António Teodoro Garcez da Silva (1915-2006), escritor, poeta e artista plástico, natural de Alenquer, foi publicado no semanário local A Verdade em 29 de Maio de 1949 (n.º 1525).
A zona ribeirinha de Alenquer vivia então grandes transformações, com as obras de rectificação do curso do rio e a execução de um plano de urbanização.




terça-feira, 20 de setembro de 2011

Doçaria Tradicional da Região de Alenquer

Em 1939 preparava-se, para o ano seguinte, a Exposição do Mundo Português.
A Secção de Etnografia Metropolitana da mesma exposição solicita então aos municípios um levantamento das especialidades tradicionais da doçaria e da panificação regional.
A Câmara de Alenquer encarrega deste levantamento Hipólito da Costa Cabaço, «por ser a pessoa mais indicada para tal», nos termos do próprio pedido, por ofício de 27 de Julho de 1939.
O levantamento realiza-se, em breve tempo, e, em 17 de Agosto do mesmo ano, a Câmara de Alenquer encaminha-o para o Chefe da Secretaria dos Serviços de Turismo, em Lisboa.
Desta forma podemos hoje conhecer a doçaria tradicional da região de Alenquer, a maior parte da qual terá caído em desuso.


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Alenquer entre As Mais Belas Vilas e Aldeias de Portugal

Trata-se de um livro publicado na década de 1980, com texto de Júlio Gil (1924-2004), arquitecto, autor de BD, caricaturista, desenhador e escritor, e fotografia de Augusto Cabrita (1923-1993), fotógrafo, director de fotografia e realizador cinematográfico.