sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A antiga vintena do Carregado

A vintena foi uma forma arcaica de organização administrativa do território, já referenciada nas Ordenações Afonsinas, extinta com o Liberalismo, que agrupava vinte vizinhos, ou seja, chefes de família, em torno de uma 'cabeça', que correspondia a um lugar ou aldeia.
Cada vintena tinha o seu juiz, eleito pela vereação camarária, estando subordinado ao juiz de fora ou ordinário.
O lugar do Carregado foi uma das muitas cabeças de vintena que existiram no concelho de Alenquer.


Relação das quintas e cazais pertençente
a Ventena do Carregado

Logares ………………Carregado
Quintas……………….Da Condeça da Louzaã
Quinta………………..do Barrão
Quinta………………..de St.º Ant.º do Barão de
                            V.ª Franca
Quinta………………..Velha
Cazal do Sarre
Cazal da Meirinha

à outro cazal chamado
o Cazal do Machado q pertence à quinta da
Condeça da Louzaã mais o d.º cazal se a-
cha queimado so tem as paredes é qto
pertençe a esta Ventena     Carregado 16 de
Junho de 1834

Jois da Ventena
Jaçinto Pederozo

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Para a história da Irmandade de Santa Cruz e Passos de Alenquer

O mais antigo documento conhecido relativo à Irmandade de Santa Cruz e Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo de Alenquer é uma petição do seu juiz, oficiais e irmãos à câmara de Alenquer, para que esta lhes conceda licença para realizarem a procissão “à sua conta”, e respectivo despacho, favorável, datado de 6 de Janeiro de 1656.
Foi trasladado para um Livro de Registos da Câmara de Alenquer (fs. 30 V.º e 31) que serviu entre 1654 e 1672 e se encontra depositado no Arquivo Histórico Municipal de Alenquer.


Treslado da Peticão e despacho
Por onde Camera largou a Porssicão
dos Pacos aos Irmãos do santo Crusu
fixo

Disemos Juiz E mais offissiais e Irmãos da Irmandade do santo Crux
sufixo de S. Frco desta villa que assim na cidade de Lx.ª como nas mais
cidades e villas deste Reino aonde ha Irmandade da Crux custuma
a dita Irmandade fazer a porsicão dos santos pacos o q atte go
ra senão fes nesta villa por a dita Irmandade do sto Cruxufixo
não ter posses pera o poder fazer e por essa resão a tomou a Camera
a sua Conta e per quanto de novo estão ajuntados na dita irmandade
muitos irmãos dos mais autorisados desta villa como de seus nomes
abaxo se vira e todos estão com grandes dezeios e fervor de fazer
a dita Porsicão com muita autoridade e devocão do que vira
a resultar muitto aumento no servisso de Deus e desta tão Santa
devoção. Pª Mces Requeirão dar licenca pera que tomem a dita sua
Porsicão a sua Conta E a dita Irmandade ficara obrigada a fasella
con toda a auturidade E devocão que lhes for possivel para que
tambem lhes he necessario o favor e ainda de Mces avendo por bem dar
lhes de esmollas que custumão gastar todos os annos na dita porsicão
p.ª o que sendo necessarios elles suppttes acusão Provisão da Rainha Nossa
Snora   ERM   gaspar aranha de barros // Sebastião de Macedo de
Carvalho e menezes // Simão da Costa // Frco vieira // Pascoal Lopes // Anto
Frs // Luis Pra de Ssa. // Henrique Jaques da Silva // Vicente Coelho Telles //
Hieronimo dArauio e Brito // Mel telles barreto Prior de S. Pº // João Rois
Rois // João Rois de Sousa // filipe frª // Mel Ribeiro // frco lopes // Pº
do quintal Pra // Heitor Esteves Rebello // Antonio Telles //

Despacho

Visto pareser bem a esta Camera e Povo qe foi chamado se Concede
os suplicantes e Irmandade que este anno facão a Porsicão E fa
zendoa com a devocão E aumento que prometem se lhes largara pera
os mais annos Com declaração que todas as vezes que Pareser
A Camera que a dita Irmandade não fas a dita Porsicão
Com a devocão a tornam a tomar E a faser como atte agora se fes sem
A dita Irmandade Pera iso embargo nem duvida algua E quanto
a esmollas Pedem Pera ajuda da dita Porsicão Recorrão a Rainha
nossa s.ra pª que Com Provisão Ssua se lhe de o qe for justo em Camra
6 de Janro 1656   Mca esteves // teixra // Coelho E não mais
a dita Peticão e despacho que toda aqui tresladei bem fielmentte
Aos dezoito dias do mes de Março de mil e seis sentos sincoentta
E seis annos Bras dArauio Devaladares escrivão da Camra o escrevi

Bras deArauio Devaladares

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

História Urbana de Alenquer

A rectificação do curso do rio e o plano de urbanização da baixa: as expropriações
Em 1946 o Ministério das Obras Públicas, através da Direcção Geral dos Serviços Hidráulicos, inicia obras de rectificação, canalização e limpeza do curso do Rio de Alenquer, tendo  como principal objectivo atenuar as cheias periódicas a que a vila esteve sempre sujeita. Ao mesmo tempo é posto em execução um plano de urbanização que virá a remodelar toda a baixa ribeirinha, estrangulada em termos de trânsito e sem possibilidade de crescimento, com a construção de duas avenidas marginais e de novos quarteirões na margem esquerda, o que implicou várias expropriações e demolições. O plano ficou concluído em 1955.