A fotografia
não tem título. Mas tendo sido já publicada por duas vezes em obras de história
local foi, numa delas intitulada, ou legendada, como «Os construtores da
Câmara».
Apresenta,
no verso do cartão-suporte, uma data inscrita, a lápis azul: 1888.
Apresenta,
no verso, inscrito, a tinta vermelha: «Ofício 319/82», documento com que se
terá agradecido a doação da fotografia por parte da direção do Museu Municipal
de Alenquer ao seu doador, descendente de um dos retratados.
A fotografia
não se encontra assinada nem apresenta, quer na frente, quer no verso,
quaisquer indicações (manuscrita, impressa ou carimbada) que permitam
determinar a autoria.
Sabe-se, no
entanto, que, em 1888, se encontravam estabelecidos em Alenquer dois
fotógrafos: José Tavares da Silva, pelo menos desde janeiro do mesmo ano, e
José de Lemos, desde 1885. Um destes será, muito provavelmente, o autor da
fotografia.
De formato
retangular, impressa sobre a horizontal, mede 22,7 x 17,2 cm, encontrando-se colada
num cartão-suporte com 25 x 20 cm.
Está
impressa em tonalidade sépia.
Encontra-se,
de uma forma geral, em bom estado de conservação.
A «Câmara» é
o edifício dos Paços do Concelho, que se veio a inaugurar em 2 de janeiro de
1890 e cuja construção se iniciara em 7 de março de 1887.
Os
«construtores» são os homens que, naquele momento, no âmbito das suas
especializações, se ocupavam do andamento da obra.
Tem como
fundo a fachada sul do edifício municipal em construção. As paredes estão
levantadas e as cantarias colocadas. Os andaimes e escadas de madeira estão
montados. O revestimento exterior, fingindo pedra aparelhada, ainda não existe,
assim como ainda não existem janelas ou portas ou sequer as suas aduelas.
O grupo
retratado é composto por 46 indivíduos, todos do sexo masculino, dispostos em
forma de pirâmide, em vários níveis ou planos, para que «coubessem» todos.
De uma forma
geral, procuram «imortalizar-se» com a melhor aparência possível, conscientes
da solenidade do momento. A postura e os olhares austeros seguem a exigência,
ou norma, de quem se faz retratar naquela época.
Apesar do
contexto de trabalho, houve cuidado na indumentária. Luís Venâncio, que
reproduziu esta fotografia em Alenquer,
concelho multissecular e monumental, legendou-a desta forma: «Operários com
trajo domingueiro posando para a posteridade, tendo por cenário o edifício da
Câmara (ainda com andaimes), no qual trabalharam.»
Os planos
seguem uma hierarquia, mesmo que não absolutamente rígida. No primeiro, onde se
encontram as figuras mais destacadas, mas também no segundo, encontram-se os
trajes mais elegantes. É nestes dois planos que se concentram mais indivíduos
de chapéu, contrastando com os planos que se lhes sucedem, onde há mais
indivíduos de barrete.
A maioria
dos indivíduos faz-se fotografar ostentando intencionalmente ferramentas de
trabalho ou outros instrumentos de identificação das suas profissões.
Assim, logo
no primeiro plano, e da esquerda para a direita, podemos reconhecer o topógrafo,
com o seu nível ótico ou teodolito apoiado em tripé de madeira; o projetista,
com os planos na mão (aberto) e sob o braço (enrolado); os canteiros, junto a
um bloco de pedra, com os seus ponteiros e macetas; os estucadores, com os seus
esquadros e molde.